18 de março de 2009: o fim do capitalismo [pt]
Paul Jorion
A data de 18 de março de 2009 será lembrada pela história – assim como a data de 29 de maio de 1453 é lembrada pela queda de Constantinopla, ou a de 9 de novembro de 1989 é lembrada pela queda do muro de Berlin – como a data do fim do capitalismo.
Em 18 de março o Federal Reserve Bank, o banco central americano, anunciou sua intenção em resgatar títulos do tesouro (dívida a longo prazo dos Estados-Unidos) em quantidades consideráveis (300 bilhões de dólares), seu orçamento tendo atingido a impressionante cifra de 1,15 trilhão de dólares. Semelhante à serpente ouroboros, devorando a própria cauda, os Estados Unidos engolirão sua própria dívida, um processo conhecido pelo simpático eufemismo de “quantitative easing”. Assim como aquele que tentaria voar levantando os pés, a nação americana põe fim ao mito de que o dinheiro representa a riqueza: a partir de 18 de março de 2009, a divisa americana representará apenas o preço do papel e da tinta necessários para imprimir novas cédulas. Ela também se exclui, acidentalmente, da comunidade internacional, mas basta!
O dólar deixou de valer tanto quanto o ouro quando, em 1971, o presidente Nixon pôs fim à paridade do dólar com este metal. Em 2009, o presidente Obama, ao permitir à Fed imprimir tantos dólares quanto julgue necessário, pôs fim à paridade do dólar com o que quer que seja, tornando a arrogância da nação americana a única medida restante do valor de sua divisa. “Sua mãe ainda ama você!”: o menino, todo pretensioso, apresenta seu primeiro espetáculo e sua mãe, que não quis que seu amor-próprio corresse o menor risco, comprou todos os ingressos!
Se a China esperava apenas um sinal para se livrar de seus dólares, ei-lo aqui! Um artigo muito interessante no Asia Times de 18 de março, assinado por Joseph Stroupe, explica como a China, tentando se desvencilhar de seus dólares, os transfere discretamente para fundos que compram recursos mineiros e petrolíferos. Stroupe, baseando suas análises em cifras levantadas por Rachel Ziemba, uma colaboradora de Nouriel Roubini, calcula que a China poderia atingir seu objetivo de redução maciça de sua exposição ao dólar em aproximadamente um ano. Não restam dúvidas de que os chineses não dormirão o suficiente essa noite em Pequim e em Shangai, tão ocupados estarão comprando febrilmente minas e poços petrolíferos pelos quatro cantos do mundo!
Ah sim, quase esqueci. A bolsa de Nova York, considerando que se tratava de uma boa notícia, fechou em alta.
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