ZILDA ARNS – A semente que ficou em nossos corações [pt]
Algumas pessoas nos trazem lembranças, boas ou ruins, que nos fazem refletir sobre o que vivenciamos. Contudo, esse conceito não se aplica a Paulo Freire, Josué de Castro, Herbert de Souza (Betinho), Zilda Arns, entre outros, pois não são as lembranças que nos movem a pensar sobre eles e o mundo, e sim suas ações e motivações que nos inspiram a escolher nosso futuro, o melhor para todos.
Mas, como suturar essas ausências e ao mesmo tempo saber que a representação se mantém sempre, na finitude da vida, assim como é para a grande médica Zilda Arns. Mesmo quem não a conhecia sabe dessa Rede de solidariedade, vida e mudança, que foi, é e será capaz de trazer tantas melhorias para as crianças em nosso país e nos nossos hermanos haitianos.
A ideia construída pela fundadora da Pastoral da Criança é que a Rede não se fragmente, e que o trabalho é permanente, assim como no momento em que ela mesma cumpriu a sua tarefa de semente, árvore, fruto de experiências, que compartilhava e vivia a replicar em vários países. Cada face de criança, em cidades que nem mesmo conheçamos, há uma pastoral da criança. Voluntários, mães, felizes em sentir, ver o resgate de sementinhas inocentes, crianças que são levadas para uma balança, e que ao ganharem peso, ao corar suas faces, trazem a significação que: Vale a pena viver, e se estamos aqui é para reconhecermos na face de cada ser humano a nós mesmos. Qualquer religião, qualquer etnia, gênero, sabe que cada um de nós temos a face do amor, é a finalidade, e para ela devemos seguir a cada dia que o sol nos permite contemplar o novo dia as coisas se vão, mas o amor não passa, não passará permanece sempre, até quando nosso semblante não estiver mais na terra.
A sabedoria da vida não foi, permanece, e tal como explicitou em momento de contemplação, Dom Evaristo Arns, irmão de Zilda, disse, nesta quarta-feira (13) que Zilda Arns, sua irmã, “teve uma morte bonita, pois estava defendendo o que acreditava”. Ele lamentou, em nota, a morte da fundadora da Pastoral da Criança, uma das vítimas do terremoto que atingiu ontem o Haiti. Dom Paulo disse que ouviu a notícia “emocionado”, mas que “não é hora de perder a esperança”.
As sementes lançadas de diversas maneiras, e a esperança está em nosso eu, e pede: deixai-vos entrar!
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Renata Holanda e Éder Leão
Coordenação do Jornal do MAUSS
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